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Crônica dos mortos vivos 
Um velho ditado bretão pede: “Os deuses me livrem de perseguição, prisão, ruim – e de ser enterrado vivo”. Hoje os médicos garantem que o enterro prematuro é uma vitual impossibilidade. Mas quem tem de voltar a si na sepultura sofre um dos mais simbólicos terrores da alma humana – tanto que se fala dele entre risos, para recompor o moral. Há casos comprovados do que seria o Complexo de Lázaro.
Os médico tiveram trabalho para explicar o que aconteceu na noite do dia 15 de julho de 1980, no necrotério do Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre. Declarado morto, o ex-operário Manoel Antônio Soares, de 119 anos, esta sentado preparado para o velório por um agente funerário quando o cadáver respirou profundamente e movimentou uma perna. Foi imediatamente encaminhado para a UTI. Alguns dias depois, o ex-morto já estava falando, embora com dificuldade.
Perplexo, Ubirajara Motta, diretor do hospital, afirmou que nunca vira caso semelhante e escalou três médicos para investigar o acontecimento. Concluiu-se que Manoel sofreu um raro caso de hibernação, provocado pela idade, desnutrição e frio. Estudos posteriores não puderam ser feitos porque no dia 22 o ancião morreu – finalmente.
O bizarro episódio não é o único. Ressurreição semelhante são noticiadas com regularidade. Algumas pessoas já chegam a escapar mais de uma vez de serem enterradas vivas.
Uma delas é Musyoka Mututa cidadão da aldeia de Kitui, no Quênia, que já “morreu” três vezes. Suas aventuras começaram aos três anos, em 1928, quando venceu a morte no grito. Envolto em lençóis, seu corpo já ia baixar à sepultura quando a criança começou a chorar. Com 22 anos, o jovem Mututa desapareceu por seis dias e seu corpo sem vida foi encontrado num campo. No momento em que o caixão fechado tocava o fundo da sepultura, o falecido consegui forçar a tampa e chamar a atenção dos coveiros.
Recentemente, foi vitima aparentemente fatal da cólera. Dado como morto em 1985, então com 60 anos, estava sendo velado por dezenas de aldeãos quando subitamente ergueu-se no caixão, dizendo “estou com sede”. Mututa escapava mais uma vez.
Também sentiu sede a finad Antonisa Agabin, uma costureira do povoado de Tuguegarão, no Norte das Filipinas. Em meio ao velório, em 1971, ela sentou-se no caixão e quis um copo d’água. O desejo foi atendido por uma irmã, enquanto as outras pessoas fugiam apavoradas. Em 1079, Agabin morreu novamente e a família, temendo enterra-la viva, adiou o quanto pôde o sepultamento. Antes de descer o caixão para conferir se Agabin estava mesmo morta. Desta vez, se ela acordou com sede, ninguém sabe, niguém viu.
Há nove anos, em Campaingn, nos Estados Unidos, Karla Woods foi declarada morta pelo legista do condado. Chegando ao necrotério, no entanto, seu corpo começou a se mexer. Karla sobreviveu depois de ser devidamente medicada. Segundo os médicos, seu organismo estava em hibernação.
Pode ter sido o que aconteceu com Helen Fracoeur, de 82 anos, em 1989, foi encontrada inerte em seu apartamento por um policial. Examinando o corpo frio, sem pulso ou batimentos cardíacos, o médico legista William J. Dean não teve dúvidas em assinar o óbito. Qual não foi a surpresa dos agentes funerários que preparavam o cadáver pra o transporte quando a anciã começou a se mexer. Um deles, David Ragazzini, qualificou o caso de “um verdadeiro engano a ser decifrado pela comunidade médica”.
Estatística e Vietnã
“Milhões de pessoas já foram enterradas vivas por ausência constatada dos chamados sinais vitais”, afirma o médico francês Perón Autret. Após um profundo estudo sobre a morte ele publicou na década de 70 o livro Os enterrados vivos com revelações assustadoras sobre o assunto.
Cita a estatística levantada pelo exército norte-americando durante a guerra do Vietnão. Quando os soldados mortos eram repatriados, a lei obrigava as autoridades abrirem os caixões. Graças a isso, constatou-se que quatro por cento dos soldados aparentemente foram encaixotados vivos. Alta patente militar chegou a propor que os combatentes fossem enterrados com frascos de clorofórmio ao alcance da mão para abreviar o sofrimento.
A causa de tanto infortúnio são ataques catalépticos mal diagnosticados: diz Perón-Autret. No entanto, estima que apenas 10 por cento dos enterrados vivos despertam da catalespsia. O resto morre mesmo, por falta de cuidados especiais.
Vampiros e celebridades
Em séculos passados, quem “resolvesse” se levantar da tumba era tomado por vampiro e ganhava esse estigma da sociedade, conta Perón Autret. Para confirmar isso, lembra que os textos referentes ao assunto registram que um vampiro verte sangue vermelho e quente quando é finalmente morto. O médico considera que o candidato a enterrado vivo não tinha mesmo salvação: “ a sociedade o declarara como morto e ele tinha de morrer”.
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